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sábado, 18 de abril de 2009

1863, 26 de Fevereiro - VOZ DA MOCIDADE

1863
26 de Fevereiro
VOZ DA MOCIDADE
Nº. 1
Pag. 1, 2
*
A PHOTOGRAPHIA
Ninguem ignora as grandes vantagens, que podem resultar da cultura da photographia, como unico meio seguro de reproduzir as imagens de todos os objectos, pela maneira a mais simples, mas a mais rigorosa. Outr'ora erão necessarias grandes despezas e enorme perda de tempo, para conseguir o que hoje, por meio d'ella se obtem, com pouca despeza e em menos tempo que então gastava um desinhista a aparar um lapiz ou um gravador a afiar o buril.
Por aqui se pode calcular quanto é util a photographia; por isso entendemos, que não havendo em Portuguez obra alguma que trate d'este importante ramo de conhecimentos, nos tornavamos uteis publicando um breve esboço destes principios.
Esforçar-nos-hemos por appresentar aos nossos caros leitores não só todas as theorias em que ella se funda; mas todos os processos que se empregão na pratica, e as descobertas mais recentes e importantes.
Para a intelligencia perfeita do que escrevemos, serão necessarias algumas figuras que, no fim hão de ser lythographadas e distribuidas pelos snrs. assignantes.
Começaremos por acompanhal-a á luz da historia, desde o seu berço até ao ponto de desenvolvimento em que hoje se acha.
Foi em 1770 que se deu o primeiro passo em photographia: um nobre chimico sueco notou que o chlorureto de prata se conservava branco na obscuridade e enegrecia na presença da luz solar. Por meio d'esta propriedade conseguírão reproduzir gravuras; porque, cubrindo uma folha de papel com esta substancia e applicando-lhe uma gravura de maneira que, exposta á luz directa do sol, esta fosse interceptada pelas partes escuras d'aquella, o papel só ficava enegfecido nas partes correspondentes aos claros da gravura, e as outras partes conservão-se brancas. A copia obtida por este processo alem de ser negativa, isto é, em que as sombras estavão transpostas, tinha o inconveniente de só se poder conservar na obscuridade; porque apenas se expunha á luz, immediatamente enegrecia em todas as suas partes e desapparecia.
Faltava pois produzir imagens positivas, ou aquellas em que as sombras guardam o seu estado natural, e se tornão fixas ou insensiveis á acção da luz. Carlos, em França, Wedgwood e Davy, em Inglaterra, occuparão-se da solucção d'este problema; que foi resolvido por Niepce e Daguerre.
Niepce dissolveu betume de Judea secco, em oleo de alfazema. O resultado d'esta evaporação era um verniz espesso, que o phisico de Chalons applicou para cubrir uma lamina de cobre polida, ou cuberta por uma de chapa de prata. A lamina depois de ter sido submetida a uma temperatura pouco elevada, ficava coberta d'uma camada adherente e esbranquiçada, era o betume de Judea em pó, e a lamina, assim preparada, era collocada no foco da camara escura. Passado certo tempo divisava-se sobre o pó pequenos esboços da imagem. M. Niepce intendendo que este esboço pouco pronunciado se podia avivar mergulhou a lamina n'uma mistura de oleo d'alfazema e petroleo, e vio que as partes da camada que tinhão sido expostas á luz ficavão quasi intactas, posto que as outras se dissolviam rapidamente e deixavam o metal nu.
Depois de ter lavado a lamina com agoa, via-se via-se formada na camara escura uma imagem positiva. Os brancos erão formados pela luz diffusa proveniente da substancia esbranquiçada e despulida do betume; as sombras pelas partes pulidas e nuas do exemplar, mas estas partes só se viam em logares sombrios: estavão de tal maneira dispostas que não podiam refletir nenhuma luz. As meias tintas quando existião podião resultar das partes do verniz que uma penetração parcial da dissolução tornasse menos escuras que as porções intactas.
« Como o betume de Judea em pó fosse algum tanto pardo e a differença entre os brancos e as sombras pouco apreciavel, a imagem era pouco distincta. Afim de tornar as sombras mais escuras Niepce fez actuar o sulfureto de potassio ou o iode sobre as porções nuas da lamina metalica; porem empregando Niepce esta substancia com o fim unico de enegrecer a imagem depois da acção da dissolução parecia ignorar a alteração que soffre o iode expondo-se á luz solar; porque no caso contrario servir-se-hia d'elle como substancia sensivel.
O methodo de M. Niepce tinha o inconveniente de empregar uma dissolução muito forte, que em certos sitios levantava o verniz; usou depois d'uma dissolução que, demasiadamente fraca, não desenvolvia sufficientemente a imagem.
Daguerre inventou um methodo denominado o methodo aperfeiçoado de Niepce, preferio o residiuo da distillação do oleo d'alfazema pela sua alvura e sensibilidade. Pela dissolução em alcool e ether d'este residuo obteve um liquido que, disposto em uma camada extremamente subtil sobre uma lamina metalica horisontal, deixava evaporando-se, uma camada pulverulenta.
« Depois de expôr a chapa, assim preparada, ao foco da camara escura, M. Daguerre a collocou horisontalmente na parte superior de um vaso contendo um oleo essencial ligeiramente aquecido. Esta operaçã feita n'um local apropriado, permittio descobrir que o vapor proveniente do oleo deixava intactas as partesinhas da camada pulverulenta que tinhão recebido a acção d'uma luz mais intensa.

(Continua) H. S. MAGALHÃES

1863, 28 de Fevereiro - VOZ DA MOCIDADE

1863
28 de Fevereiro
VOZ DA MOCIDADE
Nº. 2
Pag. 2
*
A PHOTOGRAPHIA

Daguerre observou que a luz penetrava parcialmente e mais ou menos nas differentes partes da camada pulverulenta, que na camada escura correspondião ás meias tintas.
A imagem obtida por este meio na qual o metal em nenhuma parte do desenho apparecia nu; o brilho que possuia, o bom exito na manipulação, foram assaz importantes vantagens em que o seu novo methodo excedeu o de Niepce; mas infelizmente o residuo do oleo d'alfazema, ainda que mais sensivel pela acção da luz que o betume de Judea, fazia tardar muito a formação da imagem.
Com esta descoberta Daguerre obteve provas com tal perfeição que a comissão da Academia Franceza julgou impossivel maior primor na arte.
O seu processo denominado Daguerrotypo, divulgado no mez de agosto de 1739 produzio uma grande sensação no publico e inaugurou logo uma arte nova.
Depois de se haver pulido o melhor possivel uma folha de prata chapeada sobre cobre expõe-se ás emanações do iode, que combinando-se com a prata, cobre a sua superficie, d'um amarello do ouro, cuja camada extremamente tenue se expõe ao foco da camara escura; a luz produz o seu effeito, mas tão imperceptivel que a camada parece intacta. Submetendo a chapa impressionada ao vapor do mercurio, a imagem aparece como por feitiço. Lavando finalmente a chapa em uma dissolução de hypossulphite de soda, que dissolve a camada de iodureto não impressionada, fica um espelho de prata sobre o qual se dispõe a imagem de todos os objectos, cuja luz por elles emittida penetra na chapa metalica posta no foco da camara escura.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES

sexta-feira, 17 de abril de 2009

1863, 3 de Março - VOZ DA MOCIDADE

1863
3 de Março
VOZ DA MOCIDADE
Nº. 3
Pag. 2
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A PHOTOGRAPHIA

Hoje que julgamos ter fornecido os breves conhecimentos d'historia a que nos proposemos tratar, vamos começar pela descripção d'alguns instrumentos que entendemos necessarios para o leitor mais facilmente poder comprehender a descripção d'aquelles que actualmente se usam.
Camara escura. Porta, phisico napolitano, observou em 1560 que um feixe luminoso penetrando por um orificio n'uma caixa rectangular perfeitamente tapada, a que se chamou camara escura, pintava com todas as cores naturaes a imagem do objecto, que enviára os raios luminosos. Pouco depois o mesmo phisico collocou no orificio da camara escura uma lente biconvexa, e no foco d'esta um vidro branco translucido, a imagem por este meio obtida era mais distincta. Estas imagens são tanto mais illuminadas quanto a lente é maior, e as suas dimensões augmentão com a distancia que ha da lente ao foco.
Para applicar a câmara escura ao desenho, teem-lhe dado diversas formas afim de a tornar portátil. A figura (1) ([i]) representa uma câmara escura portátil.
Consiste n’uma caixa de madeira rectangular, na qual os raios luminosos (R) penetram atravez uma lente (B) e vão pintar a imagem na parede oposta (O) que deve ter uma distancia da lente, egual ao espaço que d’esta vai ao seu foco. Mas, os raios encontrando um espelho de vidro (M) com a inclinação de 45 graus mudam de direcção, e a imagem vai formar-se sobre um vidro não polido N.
Pondo uma folha de papel sobre este vidro, pode-se obter com rectidão os contornos da imagem
O anteparo (A) serve para interceptar a luz, que esclarecia a imagem, e não se podia ver.
A caixa é formada de duas partes que se movem uma sobre a outra, de maneira que a parte anterior tirando-se mais ou menos, a imagem vai formar-se sobre o vidro translúcido (N) qualquer que seja a distancia do objecto, que se quer desenhar.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES
([i]) Nos exemplares de A VOZ DA MOCIDADE a que tive acesso, na Biblioteca Publica Municipal do Porto, não foram encontradas quaisquer figuras.

1863, 12 de Março - A VOZ DA MOCIDADE

1863
12 de Março

A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 7
Pag. 2
A PHOTOGRAPHIA

A acção das substancias acceleratrizes, exaltando a sensibilidade da camada de iodureto, permite produzir a imagem em alguns segundos. Entre alguma d’estas substancias tem sido preferido o brometo de iode, por se obter com elle o máximo de sensibilidade.Tendo em vista a importância d’este corpo no processo de Daguerre achamos convenient instruir o leitor da maneira porque se obtem. Deitam-se 100 grammas de iode e 50 de bromio n’um vidro com um litro de capacidade, tendo duas terças partes cheias d’agoa. Querendo abreviar esta operação, começa-se por agitar o liquido, pouco a pouco, á medida que a combinação se vai fazendo, ou no caso contrario, deixa-se operar a reacção por espaço de 24 horas tendo simplesmente o cuidado, de tempo em tempo, de operar a mistura.
Emquanto o bromio não está combinado, percebe-se na superfície do liquido um vapor, que vae sucessivamente adquirindo uma cor cada vez mais intensa.
Conhece-se que a operação está concluída, quando deixa de se ver este vapor, quer seja por effeito d’uma prolongada agitação, quer seja pelo d’uma reacção lenta; é então preciso transvasar o liquido vermelho, afim de não se apoderar do iode em excesso o que faria destruir a sensibilidade.
A lamina expõe-se aos vapores do brometo de iode por espaço d’um minuto pouco mais ou menos, até tomar uma cor cada vez mais intensa, sem comtudo passar para rouxo. A chapa assim preparada leva-se á caixa com iode, onde se demora exactamente metade do tempo, que da primeira vez gastara.
A lamina, que então fica muito sensível á acção da luz, introduz-se no caixilho da machina já descripta.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES

1863, 14 de Março - A VOZ DA MOCIDADE

1863
14 de Março
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 8
Pag. 3, 4
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A PHOTOGRAPHIA

Querendo-se obter um retracto, colloca-se o individuo que se quer retractar, 4 ou 5 metros distante do objectivo, tira-se a parte móvel (B) da machina photographica mais ou menos, até que a imagem, que se pinta invertida se produza com clareza, o que tem logar, apenas o vidro translúcido coincide com o foco do objectivo. Acaba-se de expor a imagem no foco por meio do botão (D) que faz afastar ou aproximar o objectivo. Como o foco seja a parte mais clara, occupando uma pequena extensão, que é a mais clara, e toda a circumferencia successivamente vae enegressendo, deve dispor-se o aparelho de maneira que os olhos da imagem estejam exactamente no foco, afim do rosto occupar a parte mais clara.
Evitando qualquer balanço na machina, substitue-se o vidro translúcido pelo caixilho com a lamina metálica e levanta-se o quadrado (E); elevando finalmente a corrediça de madeira, que tapa a superfície preparada da face prateada, a imagem que se formava sobre o vidro, passa a desenhar-se sobre a lamina. A luz produz então o seu misterioso effeito, sem que se veja um só traço da imagem.
O tempo que se deve demorar a lamina á acção da luz, varia com o objectivo, com a preparação da camada sensível e com a intensidade da luz; pode ser de 8 a 50 segundos. Se a exosição á luz, da lamina tem sido muito prolongada, a prova sahirá branca; sahirá pelo contrario negra, se a exposição for muito curta.
Logo que seja tempo de suspender a acção da luz, abaixa-se a corrediça de madeira, e tira-se o caixilho com a lamina em completa obscuridade, aliaz o que se consegue tendo todo o cuidado em tapar qualquer orifício no caixilho; porque no caso contrario destruir-se-hia o effeito anteriormente recebido.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES

1863, 17 de Março - A VOZ DA MOCIDADE

1863
17 de Março
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 9
Pag. 3
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A PHOTOGRAPHIA

A imagem, que então fica imperceptível, só se torna distincta depois de se expor aos vapores do mercúrio: este processo consiste em dispor a lamina metálica na parte superior d’uma caixa de madeira, preparada para este uso, formando um ângulo de 45 graus, que tem o fundo de ferro ou lata, com uma cavidade onde está o mercúrio.
Elevando o mercúrio a uma temperatura de 60 a 75 graus, por meio d’uma lampeda d’alcool, os vapores mercuriaes se vão depositar em grande quantidade nas partes mais esclarecidas, e depois d’algum, forma-se um corpo, que parecendo uma amalgama de prata e mercúrio, se reconhece o contrario pela pouca resistência, que offerece á mais ligeira fricção, a qual dá os brancos á prova, ficando as outras partes escuras por effeito do ............. da lamina. A imagem fica então visível e pode ser exposta á luz solar sem se alterar.
Muitas vezes a lamina fica coberta, principalmente nas sombras, d’uma camada de iodureto de prata, que da á prova uma cor vermelha e roxa. Faz-se desapparecer esta cor lavando a lamina com uma dissolução de hyposulphite de soda.
Resta ainda fixar a imagem, processo que se limita a lavar a lamina com uma dissolução fraca de chlorureto d’ouro e d’hyposulphite de soda. N’esta operação, a prata dissolve-se, e o ouro combina-se com o mercúrio e com a prata da lamina; a amalgama de mercúrio e da prata que forma o branco da prova, combinando-se com o ouro, fica mais brilhante, donde resulta um notável augmento d’intensidade nos claros da imagem.
A M. Fizeau se dve o emprego do chlurureto de ouro, que é o principal aperfeiçoamento a que se tem levado a descoberta de Daguerre.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES

1863, 19 de Março - A VOZ DA MOCIDADE

1863
19 de Março
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 10
Pag. 2
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A PHOTOGRAPHIA

A figura (6) ([i]) representa a secção d’um objectivo, isto é, o aparelho que serve para concentrar a luz sobre uma superfície na qual se desenha a imagem. N’outro tempo continha uma só lente biconvexa achromatica; mas não tardou muito em se adoptar os objectivos com duas lentes achromaticas, que se denominam objectivos com vidros combinados. Operam com muito mais ligeireza que os primeiros, têem menor distancia de foco, o qual se acha com mais promptidão, aproximando ou afastando a lente (B), que está voltada para objecto por meio d’uma charneira e d’um botão (D).
Photographia sobre papel. A arte e a sciencia tem tirado grande partido do processo de Daguerre; todavia, o preço dos seus numerosos preparativos, a carência d’um prolongado estudo difficultavam aos homens práticos a sua execução perfeita. A difficuldade com que se distingue a imagem, em consequência do seu brilho, que reflectindo a luz em grande quantidade, obsta á percepção do desenho, a sua corrupção lenta, e outros mais defeitos, tem feito cahir em desuso este processo, base das invenções modernas.
M. Bayard appoiando-se n’algumas noções de photographia sobre papel, que M. Falbet havia colhido, obteve excallentes provas; finalmente M. Blanquard Evrard desenvolveu as experiências de M. Talbot, com importantíssimas modificações.
No daguerreotypo obtem-se uma imagem por meio d’uma só operação, em quanto que para papel são precisas duas.
Começa-se por um effeito inverso; obtida a imagem negativa, assenta-se sobre uma folha de papel coberta de saes de prata, e expõe-se á luz directa do sol. Os raios atravessam as partes claras da prova negativa, que deve estar na parte superior, indo escurecer outro papel nas partes correspondentes; são retidos nas partes opacas da prova deixando no outro papel os claros da nova gravura, a qual fica positiva.
Por meio deste processo podem-se reproduzir com uma prova negativa o numero de positivas, que quizermos.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES
([i]) idem.

terça-feira, 14 de abril de 2009

1863, 24 de Março - A VOZ DA MOCIDADE

1863
24 de Março
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 12
Pag. 2
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A PHOTOGRAPHIA

A fim de tornar a questão mais clara começaremos por dar um breve resumo de todo o processo.
Eis o problema a resolver: sendo dada uma superfície impregnada de iodureto, de bromureto solúvel e tornada insolúvel, mas premiavel a todo o liquido próprio para dissolver o azotato de prata, penetrar esta superfície d’uma dissolução d’azotato de prata, para tornar insolúveis e sensíveis á luz, o iodureto, o bromureto transformando-os, em iodureto e brometo de prata. Depois de se ter obtido na câmara escura, pela acção dos raios luminosos sobre os saes de prata, uma imagem invisível, fazel-a sobresair completando o effeito da luz pelos agentes chimicos especiaes; fixar finalmente esta imagem inteiramente desenvolvida, dissolvendo e fazendo desapparecer os saes de prata sobre os quaes a luz não tem actuado, empregando banhos e lavagens que não affastem as outras partes da superfície assim tratada.
Emprega-se o papel secco e o papel húmido. No primeiro caso pode-se preparar com antecedência: no degundo deve-se empregar apenas cesse a preparação.
O primeiro cuidado do photographo deve ser a escolha do papel; deve ter uma massa fina e egual por toda a sua extenção, bem collado, sem a menor mancha, e um tecido sólido e transparente.
Depois de se ter escolhido o papel com as melhores condições torna-se compacto tapando-se-lhe os poros, transparente embrulhando-o em cera virgem fundida e estendida sobre uma chapa prateada aquecida a um banho-maria.
Applica-se o papel sobre a cera até que esteja egualmente penetrado.
Introduz-se então entre duas folhas de papel mata borrão, sobre as quaes se applica um ferro quente, para lhe fazer absorver o excesso da cera contida na camada photogenica. Não deve ter ponto nenhum lustroso na superfície, a transparência deve ser uniforme e perfeita. Um ferro tendo muito ou pouco calor estragaria o papel.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES

1863, 28 de Março - A VOZ DA MOCIDADE

1863
28 de Março
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 13
Pag. 2
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A PHOTOGRAPHIA

Para collar o papel extrae-se a parte glutinosa de 200 grammas de arroz cuzido em três litros d’agoa destillada, com 20 grammas de colla de peixe em folha. Depois de se ter partido com cuidado o arroz, faz-se passar toda a mistura atravez um panno muito fino; o liquido obtido serve para encorpar o papel e tornar mais perfeitos os escuros da prova.
Trata-se de fazer penetrar o papel nos saes que a reacção do aceto-azotato de prata deve sensibilizar. Mistura-se cyanureto de potássio para decompor a cera.
________________________GRAM.__________ CENTIG.
Assucar de leite......................................45................................0
Iodureto de potassio..............................15
Cyanureto de potassio.............................0..............................80
Fluorureto de potassio.............................0.............................50

Este mixto deve estar contido n’um litro de agoa d’arroz.
Filtra-se atravez um panno muito fino n’um frasco, onde esta composição se possa conservar sem prejuiso, e tendo o cuidado de empregar uma temperatura de 15 a 20 graus.
Este banho colloca-se n’uma bacia grande, com agoa; mergulha-se n’ella o papel coberto por folhas, debaixo das quaes não deve ficar nenhuma bolha d’ar. Podem-se d’uma só vez preparar muitas folhas, introdusindo uma por uma na bacia e demorando-as até que a cera seja totalmente decomposta. Esta decomposição opera-se no espaço de meia hora a uma hora pouco mais ou menos. Todas as folhas se demoram o mesmo tempo no banho, é por isso necessário tiral-as pela mesma ordem porque foram immergidas.
Fazem-se seccar suspendendo-as por um ângulo fixo, por meio d’uma penna fendida, com um cordel d’algodão horisontal. O liquido em excesso se escoa pelo ângulo inferior ao qual se adapta uma folha de papel mata-borrão, afim de acelerar a dessecação, pela successão que elle produz. Acabado o dessaccamento reserva-se n’um cartão o papel que deve, se a operação tem sido bem dirigida, offerecer uma cor rocha. Filtra-se o resto do banho n’um frasco que tem a boca hermeticamente, e serve este banho até a evaporação estar completa.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES

domingo, 12 de abril de 2009

1863, 7 de Abril - A VOZ DA MOCIDADE

1863
7 de Abril
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 16
Pag. 1, 2
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A PHOTOGRAPHIA

Faz-se dissolver em um frasco coberto com papel negro, e tapado com esmeril, 20 gramas d’azotato de prata em 300 gramas d’agoa estillada ; junta-se-lhe 24 gramas d’acido acetico cristalisavel e 8 gramas de negro animal ; agita-se o frasco algumas vezes, e depois d’um pequeno intervallo, o negro animal vae ao fundo do vaso, filtra-se a parte superior do liquido para servir immediatamente.
O operador munido de duas bacias de porcelana, verte n’uma aceto-azotato de prata até a altura de dis centímetros, n’outra agoa destillada. O banho de aceto-azotato de prata póde servir a tantas mais folhas, quanto maior for o numero de grammas de azotato de prata que contiver. Applica-se cuidadosamente sobre a superfície do banho, uma das folhas ioduradas que sustentando-se pelos ângulos superiores, vai-se sucessivamente mergulhando no liquido verticalmete, a fim de afastar alguma bolha d’ar que possa boiar na superfície do liquido e manchar o papel. Quando a folha é grande, immerge-se inteiramente pouco a pouco, durante cinco minutos; logo a tinta roxa do papel iodurado esclarece, o máximo de sensibilidade fica obtido. Retira-se n’este momento a folha do banho de aceto-azotato de prata, e dispõe-se na bacia com agoa destillada, do mesmo modo como se praticou no banho precedente, que póde sem ser filtrado impregnar uma grande quantidade de folhas uma por uma, mergulhando-as pela mesma forma em agoa destillada. Renova-se esta agoa, que se conserva depois da operação, bem como a primeira n’um vaso especial. Recolhe-se egualmente o resto do banho azotato de prata depois de haver servido ao maior numero possível de folhas, a fim de libertar a prata.
Quando se queira empregar o papel mais tarde dever-se-há submeter a maior numero de lavagens que no caso contrario.
Á medida que as folhas se vão tirando do banho d’agua destillada, se fazem seccar entre folhas de papel pardo próprio para este uso.
Acabado o seccamento das folhas, dispõem-se por ordem em cadernos de papel pardo, onde se resguardam da luz por alguns dias sem se alterarem, até á exposição na câmara escura.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES

1863, 9 de Abril - A VOZ DA MOCIDADE

1863
9 de Abril
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 17
Pag. 2, 3
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A PHOTOGRAPHIA

EXPOSIÇÂO NA CAMARA ESCURA. – O objectivo estando convenientemente disposto, substitue-se o vidro não polido por um caixilho com dois vidros translucidos, entre os quaes se encontra a imagem applicada sobre uma folha de papel mata-borrão, que não tenha a menor ruga.
Faz-se penetrar a luz no papel sensibilisado, elevando a corrediça de madeira pertencente ao caixilho, e destapando exteriormente o objectivo achromatico: demora-se para um retrato, estando a athomosphera límpida, 10 a 30 segundos, e 40’’ a um minuto havendo sombra. Querendo tomar uma vista com um objectivo simples, em presença do sol deixa-se actuar a luz por espaço de 1 a 25 minutos, segundo a estação e a colorisação dos objectos.
Acabada esta operação, tapa-se exteriormente o objectivo, e, interiormente a folha de papel sensibilisada, por meio da corrediça.
Pela via secca, como n’este caso, pode-se, depois de se haver tirado o caixilho perfeitamente tapado, desenvolver a imagem passados muitos dias. M. Legray assegura ter colhido bons resultados tendo até mesmo decorrido 15 dias.
Desenvolve-se a imagem n’um banho formado pela dissolução de 40 centigrammas d’acido gallico em 250 grammas do resíduo que se obtem, depois da lavagem do papel negativo em agoa destillada, de que fallámos no nº antecedente.
Quando a dissolução se completa mergulha-se no banho a prova, seguindo-se o desenvolvimento até o ponto conveniente: este tempo está sujeito a grandes variações.
Completado o desenvolvimento da imagem, retira-se a imagem para a estender sobre um vaso próprio; lava-se frequentes vezes, tendo o cuidado de elevar minuciosamente os depósitos chystalinos, que poderiam ser atacados ao verso do papel.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES

1863, 14 de Abril - A VOZ DA MOCIDADE

1863
14 de Abril
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 19
Pag. 2, 3
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A PHOTOGRAPHIA

Quando depois de se haver lavado o papel negativo ao sahir do banho d’acido gallico, se lhe notar manchas d’oxido de prata, devem-se fazer desaparecer, passando-lhe por cima um pincel imbebido d’acido acético puro.
FIXAÇÃO DA PROVA NEGATIVA. Existe na prova, cyano-fluoro, iodureto de prata, gallato de prata e prata carbonisada: mergulha-se n’um banho constituído por hyposulphite de soda, enchendo a oitava parte d’um centímetro d’altura d’uma bacia, e por agoa destillada, enchendo até 5 millimetros da altura da mesma; o hypusulphite apodera-se do cyano-fluoro-iodureto de prata em liberdade, e não ataca o gallato de prata e a prata catbonisada. Quando o iodureto está repartido, o papel ganha alvura e transparência; os escuros sahem bons e fortes. É necessário para os papeis ordinários, pouco mais de meia hora; os papeis encerados são fixos no intervallo de 10 a 15 minutos; a prova tendo sido levada muitas vezes, põe-se n’uma bacia, com agua destillada, para a desembaraçar completamente do hyposulphite. Ao fim d’uma hora, secca-se a prova negativa, entre duas folhas de papel mata-borrão. Se a prova conservasse um aspecto amarellado proveniente do iodureto de prata depositado na massa do papel, seria preciso tornal-a a metter no banho e laval-a novamente.
Val mais prolongar o banho e as lavagens que deixar de extrair os saes de prata, cuja presença prejudicaria a tiragem das positivas e alteraria a negativa não limpa pela hyposulphite. Torna-se então a meter o negativo amarelado no banho, ainda mesmo no caso já ter servido a tirar muitos exemplares.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES

1863, 18 de Abril - A VOZ DA MOCIDADE

1863
18 de Abril
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 21
Pag. 1, 2
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PHOTOGRAPHIA

VIA HUMIDA. O papel pode ser encerado e iodurado como pela via secca; comtudo é melhor enceral-o depois; emprega-se ao sair do banho d’azotato de prata: é então necessário não o lavar nem o deixar seccar; extrahe-se somente o liquido em excesso, applicando-lhe com todo o cuidado sobre a superfície sensibilizada um papelpardo. O papel photographico ainda húmido, posto n’um caixilho coberto com um papel mata-borrão imbebido em agua destillada, leva-se á câmara escura. Não deve existir nenhuma bolha d’ar tanto na superfície do liquido como entre a folha e o papel pardo.
Depois d’uma curta exposição, cujo tempo é determinado pelas circumstancias de luz, e calor, etc, faz-se sahir a imagem n’um banho d’acido gallico sem acetonitrato, contendo já o papel a dose necessária.
Este banho dura pouco tempo.
Lava-se e fixa-se então a prova como já dissemos para o papel encerado secco.
Pela via humida, o papel sendo encerado depois das outras operações, toma-se uma folha mais forte.
Depois de se ter assegurado o avesso não assetinado, mergulha-se a outra superfície n’um banho de iodureto, de maneira que não forme bolhas d’ar e não deixe chegar o liquido ao verso do papel.
Quando o papel está secco applica-se a face iodurada sobre o acetonitrato de prata durante alguns segundos, e a folha sendo disposta entre papel mata-borrão, continua-se pelo processo que até aqui temos usado.
M. Humbert de Molard pretende dar mais sensibilidade ao papel compondo assim os banhos:

Iodureto d’ammoniaco.........................20 gram.
Agoa destillada.........................50 centimt. cubicos

O papel estando secco, mergulha-se a face iodurada n’um outro banho cuja formula é a seguinte:

Azotato de prata............................16 gr.
Azotato de zinco...............................8 “
Acido acético.....................................8 “
Agua destilada............................250 centimt. cubicos

(Continua.)

H. S. MAGALHAES

1863, 25 de Abril - A VOZ DA MOCIDADE

1863
25 de Abril
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 24
Pag. 2
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PHOTOGRAPHIA
Supprime-se d’este banho o azotato de zinco, augmenta-se 8 grammas de azotato de prata; as outras partes conservam sua dose relativa. Passado algum tempo escorre-se a folha e introduz-se n’um papel mata-borrão, continua-se como para os outros processos.
Derrama-se na folha ao sahir da câmara escura, uma dissolução d’acido gallico, contendo 180 grammas d’este liquido, 50 gotas d’uma dissolução saturada de acetato d’amoniaco; a imagem desenvolve-se instantaneamente. Lava-se e fixa-se pelos meios ordinários.
Passemos a expor o methodo de mr. Legray para albuminar o negativo sobre papel de paisagem, cujos trabalhos se acham na primeira ordem dos productos de photographia.
Introduz-se n’um vazo de porcelana dez claras d’ovos com 4 grammas de iodureto de potássio, 50 centigrammas de brometo d’amomoniaco e 50 centigrammas de clorureto de sódio. Feita a dissolução bate-se a mistura com uma colher de madeira, até que se eleve uma massa fina e espessa.
Deixa-se assentar por espaço de 24 horas, o liquido viscoso; deita-se n’uma bacia; applica-se então a folha sobre o liquido por espaço de dois ou três minutos, de maneira que só uma face seja immergida; escorra-se o liquido em excesso de modo que não toque a face não immergida.
Podem-se assim preparar muitas folhas. Depois de se terem seccado perfeitamente dispõem-se entre folhas de papel branco e corre-se-lhe por cima de cada uma um ferro o mais quente possível, mas de maneira que não creste o papel. A albumina coagulando-se fica insolúvel. Este papel albuminado sensibilisa-se n’uma dissolução de 20 grammas de azotato de prata e 24 de acido acético, em 300 grammas de agoa destillada. Applica-se a folha albuminada sobre este banho, sem interrupção e sem deixar formar bolhas d’ar. As operações consecutivas entram no numero das já descriptas.

(Continua.)
H. S. MAGALHAES

1863, 5 de Maio - A VOZ DA MOCIDADE

1863
5 de Maio
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 28
Pag. 1, 2
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PHOTOGRAPHIA

M. Legray prepara o papel húmido especial para retratos com certas modificações. Deita n’uma bacia de procelana, até dois ou três millimetros d’altura a dissolução seguinte:
Agoa destillada ..................400 gram.
Iodeto de potássio .............. 20 “
Cyanureto de potássio ....... 2 “
Flucoreto de potássio ........ 50 cent
O papel de Canson de 5 kilogramas a resma é o melhor. Toma-se uma folha e marca-se lado não assetinado; applica-se o lado assetinado sobre a superfície do liquido sem o deixar chegar ao avesso do papel: um ou dois minutos são sufficientes para a immersão. Tira-se a folha do banho para se fazer seccar em papel mata borrão muito fino, friccionando-se em todo o sentido com a mão.
Quando a folha se tira do papel mata borrão limpa-se levemente para lhe tirar algumas impurezas que a superfície preparada possa conter; introduz-se n’um banho de aceto-azotato de prata durante oito a dez segundos, estende-se em seguida a folha sobre o caixilho da câmara escura, guarnecida d’uma folha de papel mata borrão imbebido em agoa.
Leva-se immediatamente o caixilho á câmara escura para receber a acção da luz; a exposição pode durar, com sombra, 4 a 10 segundos, para um retrato, e 18 a 40 segundos no Inverno.
A continuação das operações teem logar como nos methodos precedentes.

(continúa)
H. S. MAGALHÃES

1863, 16 de maio - A VOZ DA MOCIDADE

1863
16 de Maio
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 33
Pag. 4
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GABINETE PHOTOGRAPHICO
Hoje em dia que os retratos – já se acham tão baratos – toda a pessoa catita – dá bilhetes de visita – a um qualquer conhecido. – Até mesmo o Deus Cupido – não passa sem photographia, – a joven no primeiro dia – em que fallou ao namorado – diz que quer photographado – o retrato do amante – este que é rapaz galante, – como tal, logo há de querer – a tal pedido ceder – e procura a photographia – onde encontre economia – mas sendo porem perfeitos – os retratos dos sujeitos – que se vão photographar. – Vou eu pois recommendar – um gabinete mui bello – Onde é? Querem saber – – Pois é na Rua do Norte – o numero lá vai á sorte – parece-me oitenta ser – o nome querem saber? – É o Nóbrega retratista – sendo portuguez artista – merece ser ajudado – seu trabalho collocado – a par de qualquer estrangeiro – Custando menos dinheiro – é igual em perfeição – desse-lhe pois protecção.

1863, 26 de Maio - A VOZ DA MOCIDADE

1863
26 de Maio
A VOZ DA MOCIDADE
Nº. 37
Pag. 2

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PHOTOGRAPHIA

PAPEL POSITIVO. – Prefere-se para este uso, o papel de peso de 15 kilogramas a resma, sem manchas de ferro e cortado segundo as necessidades do operador ; tem-se estabelecido que o avesso da folha é a superfície que tem o tecido mais grosso. Applica-se e demora-se dois a três minutos, o direito do papel sem deixar chegar o liquido ao verso, sobre uma dissolução de 8 grammas d’hydro-clorato d’ammoniaco em 100 grammas d’agoa destillada, tendo ao menos 4 millimetros d’espessura na bacia que a contem.
Depois de se ter tirado a folha d’este banho, introduz-se entre duas folhas de papel mata-borrão para acelerar a seccação, e quando já não contem nenhuma humidade esfrega-se o lado collado com um pincel um pouco rijo para lhe retirar algumas impurezas, que se lhe podessem fixar. Depois d’este banho introduz-se este lado da folha n’um outro constituído por 15 grammas d’azotato de prata dissolvidos em 100 grammas d’agoa destillada. Ao fim de 10 minutos pouco mais ou menos tira-se o papel, e suspende-se por um dos ângulos para seccar. Esta opperação deve ser feita em completa obscuridade. Não é logo que a seccação se completa que se deve empregar o papel, quer seja seccando-o com uma lampeda com espírito de vinho, quer seja depois de 24 horas da suspensão a uma temperatura de 10 a 20 gráus.
Este papel podia conservar-se durante dois dias, mas é melhor preparal-o á noite para ser empregado no dia seguinte; elle se alteraria na obscuridade a mais absoluta, por longo espaço de tempo ..
É indispensável fazer passar o papel pelos dois banhos immediatamente um depois do outro.
N’este caso, reduz-se a 5 p. 0/0 o sal do primeiro banho. O banho dá-se algumas horas antes de pôr o papel á exposição da luz debaixo do negativo.
Querendo-se dar ao positivo mais vigor e brilho, albumina-se, o que é mais próprio para este resultado.
Eis aqui como se procede:
Metta-se 50,0 em peso de christal de clorureto de sódio ou d’hydroclorato d’ammoniaco em claras d’ovos; bate-se tudo até que não possa augmentar mais a massa que está desenvolvida. Depois de 15 horas ao menos, passa-se o liquido para uma bacia e mergulha-se, mas só d’um lado, o papel tanto para positivo como para negativo.
Depois de 10 a 13 minutos secca-se e termina-se passando-lhe um ferro quente.
Se a folha assim tratada offerece muito brilho á sua superfície, corrija-se o excesso, ajuntando ás claras d’ovos antes de as bater, uma certa quantidade d’agua desllilada com um por cento d’hydrochlorato d’ammoniaco ou de chlorato de sódio.
A proporção de metade d’albumina e d’agua pode ser a mais favorável. Não é de rigor introduzir-se immediatamente o papel bem secco no banho, sobre o qual deve ser applicado pelo seu lado albuminado e durante 3 a 4 minutos. Este banho compõe-se de 15 partes de nitrato de prata e de 100 partes d’aggua desillada. Suspende-se depois o papel por um ângulo; quando está secco engasta-se como o papel positivo ordinário.

(Continua.) ([i])
H. S. MAGALHÃES
([i]) Nos exemplares de A VOZ DA MOCIDADE a que tive acesso, na Biblioteca Publica Municipal do Porto, não foi encontrada a continuação destes artigos.