Mostrar mensagens com a etiqueta Cunha Moraes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cunha Moraes. Mostrar todas as mensagens

domingo, 22 de março de 2009

1882/1883

1882/1883
*
AFRICA OCCIDENTAL, ALBUM PHOTOGRAPHIO-LITTERÁRIO
Publicação, no Porto, por CUNHA MORAES e FERREIRA SALLES de AFRICA OCCIDENTAL, ALBUM PHOTOGRAPHICO-LITTERÁRIO (caixa com albuminas)

quarta-feira, 18 de março de 2009

1886, 3 de Abril (sábado) - A PROVINCIA

A PROVINCIA
II Ano Nº 75
Pag. 1
*
EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE PHOTOGRAPHIA

Deve amanhã inaugurar-se solemnemente, na grande nave do Palácio de Crystal, este interessante certamen. A commissão organisadora da exposição dirigiu-se a el rei D. Luiz, solicitando-lhe a graça de vir presidir a esta festa artística. S. M. Não podendo aquiescer o pedido, respondeu comtudo em termos de extrema benevolência, manifestando a sua sympathia pelo emprehendimento e o apreço em que tinha o haver sido nomeado presidente da commissão promotora.
Também foi solicitada a comparência do snr. ministro das obras publicas, mas no momento actual não lhe é possível abandonar os trabalhos parlamentares. Assim o communicou á commissão endereçando lhe palavras de muito louvor e reconhecimento pela distincção com que havia sido honrado.
Espera-se que venha a esta cidade o snr. conselheiro António Augusto de Aguiar, ministro honorário.
Para a solemnidade da inauguração estão convidados a câmara municipal e as principaes auctoridades.
Esta exposição partiu da iniciativa da Photographia Moderna e principalmente do snr. Ildefonso Correia; logo depois associaram se a esta ideia o sr. Eduardo Alves e a direcção do Palácio de Crystal. Addiada duas vezes por causa da cholera, abre-se finalmente agora.
Esta exposição é das mais attrahentes que se tem realisado entre nós.
Seria injusto negar á direcção do Palacio de Crystal e á commissão iniciadora os elogios que merecem.
O exame dos modelos mais correctos, dos exemplares mais perfeitos, excita desejo da imitação e desenvolve o bom gosto.
No Palacio de Crystal estes torneios são verdadeiras festas e agradabilíssimos espectáculos, que bem mais merecem a attenção e o concurso do publico do que as exhibições inclassificáveis, que nos theatros e nos circos são procuradas com injustificavel avidez.
O aspecto da grande nave é magestoso. A disposição dos quadros, obedece a tudo feito com gosto, de modo a impressionar muito satisfactoriamente o visitante pela variedade de assumptos que vae encontrando.
É grande o numero de expositores extranhos; ao contrario, o concurso dos nacionaes é bastante exíguo, mas os specimens expostos são excellentes e não desmerecem ao lado dos productos da industria estrangeira.
*
A exposição occupa toda a nave central: salão e palco. A todo o comprimento vêem-se vinte arcos de galeria, abertos sobre fundo escuro. Ao longo da linha dos arcos corre um balcão destinado aos specimens photographicos; estes estão emmoldurados em caixilhos de supporte.
No centro da nave ergue-se uma vitrine hexagonal. Aos lados, em estantes revestidas de panno escuro, vêem se provas photographicas sobre papel.
A ornamentação, que é muito elegante e de muito bom gosto, foi dirigida pelo snr. Marinho.
Nos pilares da galeria, estão dispostas bandeiras, galhardetes e escudos onde se lêem os nomes dos inventores, aperfeiçoadores e cultores da arte photographica e suas derivadas, figurando n’esses nomes não só estrangeiros como nacionaes.
Numerosas plantas ornamentaes avivam também, sobre plintos, todo aquelle recinto.
*
Como já dissemos, os photographos portugueses concorreram em menor numero do que era de esperar. Do Porto destacam se principalmente a Photographia União, dos snrs. Fonseca & C.ª e a Photographia Moderna, dos snrs. Leopoldo Cirne & C.ª. Expõem também trabalhos muito apreciáveis os snrs. Silva Pereira & C.ª. De Lisboa só notamos um expositor, o snr. Camacho.
De Coimbra são dignas de menção as exposições da photographia Sartorio, do snr. José Maria dos Santos e do snr. Adriano da Silva e Sousa.
Já os leitores vêem que os photographos de profissão nacionaes se apresentaram em numero reduzidíssimo. Com a exiguidade do numero dos expositores contrasta, porem, a opulência das exposições das duas photographias do Porto que em primeiro logar citamos.
Entre os amadores nacionaes avultam em primeiro logar o snr. Carlos Relvas e a sua filha snr.ª D. Margarida.

O snr. Carlos Relvas expõe:

Quadros: 1) – Album de l’Exposition rétrospective d’art ornamental, Lisbonne, 1882. Texte en portugais et français; 55 phototypies; reliure spéciale ; 2) – Spécimens du même album ; 3) – Idem ; 4) – Plaques gravés par Monsieur Joseph Leipold pour la reliure du même Album.
Phototypia: - Quadros: 5) – Portait du monument des Jeronymos (Lisbonne) ; 6) Portait des chapelles imparfaites (Batalha) ; 7) – Intériur de l’atelier de C. Relvas ; 8) – Environs de Braga ; 9) – les Vallées (Environs de Thomar). Épreuve de deux clichés ; 10) – Chapelle Royale (Batalha) ; 11) – Art ornemental (Exposition, 1882) ; 22) – Idem ; 13) – Idem ; 14) – Dessin de Sequeira ; 15) – Portraits, etc. ; 16) – Portraits, Reproduction, Fleurs ; 18) – Espagne (Tremblements de terre) , 19) – Idem : 20) – Idem ; 21) – Idem ; 22) – Idem.
Provas positivas em vidro : - Quadros : 23) – Positif par transparence sur plaque au gélatine chlorure de Monsieur Hutinot ; 24) – Idem.
Provas a carvão : - Qudros : 25) – Portraits ; 26) – Instantané ; 27) – Idem, (pendant l’inondation); 28) – Positif par transparence (Batalha); 29) – Costume d’Ilhavo.
Provas em papel albuminado: Quadros: 30) – Portrait de As Majesté la Reine D. Maria Pia; 31) – Portrait de Sa Majesté Roi D. Louis I; 32) – Portraits; 33) – Costumes; 34) – Monuments et Paysages; 35) – Paysages ; 36) – Instantanés ; 37) – Chapelles Imparfaites (Batalha) ; 38) – Batalha (vue générale) ; 39) – Cloitre du Monument des Jeronymos ; 40) – Château de la Pena ; 41) – Monserrate (Cintra) ; 42) – La tête du Maure (Condeixa) ; 43) – Foz do Douro ; 44) – Massarellos (Porto) ; 45) – Environs de Torres Novas ; 46) – Espagne (Instantané) Malaga ; 47) – Idem, Mosquée de Cordoue ; 48) – Idem, Alhambra ; 49) – Idem, Tremblements de terre ; 50) – Idem, Idem ; 51) – Idem, Idem ; 52) – Instantané (Gollegâ); 53) – L’hiver a guarda; 56) – Idem, Idem.

D. Margarida Relvas expõe os seguintes quadros:

Provas a carvão: - Quadro: 1) – Portraits.
Provas em papel albuminado: - Quadros: 2) – Portraits; 3) – Costumes; 4) – Instantanés; 5) – Portrait et fleurs; 6) – Idem; 7) – Idem; 8) – Idem; 9) – Promenade d’Evora; 10) – Environs de Gollegâ; 1) – Idem; 12) – Fleurs.
Phototypia: - Quadros: 13) – Portrait sur papier de Chine; 14) – Portrait; 15) – Paysage (Gollegâ) ; 16) – Idem ; 17) – Cloit du monument des Jeronymos ; 18) – Portraits sur gelatine et fleurs en Phototypie ; 19) – Idem.
Provas positivas em vidro : - Quadros : 20) – Positif par transparence sur plaque au gélatine chlorure de Monsieur Hutinet de Paris ; 21) – Idem ; 22) – Idem ; 23) – Idem.

O sr. Eduardo Alves, amador do Porto, apresenta provas distinctissimas, revelando um perfeito conhecimento dos processos mais modernos e uma nitidez de execução superior a todo o elogio. O sr. Anthero Araújo, também do Porto, expõe 12 quadros com paisagens, grupos e retratos.
O snr. Joaquim Basto, ainda do Porto, apresenta um quadro com 12 photographias, entre ellas a de um monumento, o convento de Leça do Bailio.
Como amadores nacionaes notam-se ainda o snr. Sassetti, de Cintra e o sr J. A. da Cunha Moraes. A exposição d’este occupa todo o balcão do centro da nave central. Consta de uma série de provas photographicas de typos e aspectos da natureza de Africa.
*
Os photographos extrangeiros são hespanhoes, allemães, austríacos, húngaros, polacos, brazileiros, etc.
De Hespanha é que a concorrência é mais numerosa. Notam-se as exposições dos snrs. Edgard Debas, Alviach, Viúva de Amayra y Fernandes, Herbert, de Madrid, e Chicharro, de Santiago.
Da Prússia apparece installada na primeira secção á direita do visitante, a casa do OttoWilde. Teem grandíssima novidade os trabalhos apresentados por este expositor.
A photographia Zelermy Karoly (da Polónia) expõe um quadro com 18 magnificas photographias, meia placa, carte-album e visite.
A photographia Goszleth (de Budapest) expõe um excellente quadro.
De Berlim, o atelier de reprodução Rud Schnoter apresenta uma série de photo-gravuras, segundo pinturas a óleo, e sete quadros grandes, dignos de attenção.
A casa Ios & Ian Pric offerece algumas provas de experiências astro photographicas, effeitos de luz nas cordilheiras e crateras da lua, sombras das montanhas projectadas nas planícies lunares e alguns pormenores minuciosos da orographia lunar, bastante interessantes.
*
Os amadores extrangeiros são numerosos e os seus trabalhos são na máxima parte apreciabilissimos. De Inglaterra concorreram alguns dos mais distinctos, como os snrs. Robinson, Emerson e Clement William.
Teem também exposições muito dignas de notar se os amadores inglezes residentes no Porto, os snrs. André Cassels, James Searle e miss Marion Searle.
São também expositores o snr. Ferdinand Claus e Mmer. Claus, o snr. Francisco Guillon y Morante, H. C. Garland, Arthur Benarus, Adam Diston, Albert Lucardon, o professor Stebbing, J. P. Gibion, Hans Schublerbaner e muitos outros.
*
É na nave central que se encontram quasi todos os expositoresa que nos temos já referido.
Logo á entrada, do lado direito, a installação dos productos do snr. Carlos Relvas e sua filha, dous amadores de primeira ordem. A disposição é lindíssima, mesmo bastante magestosa.
Do lado esquerdo expõe a Photographia União. A installação não é muito leve, mas é imponente e deve agradar immenso.
No palco vê-se a exposição do Centro Artístico Portuense, que foi convidado já bastante tarde, segundo nos informam, a concorrer só com photographias. Expõe retratos, cabeças de estudo e paisagens, trabalhos dos sócios do Centro.
Sobresahem os retratos devidos aos snrs. Marques d’Oliveira, Sousa Pinto, Pouzão (já fallecido), Custodio da Rocha, Marques Guimarães e Torquato Pinheiro.
Em exemplares photographicos expõe copias dos sete celebres frescos de Rafael, e copias de Velásquez, Moret, Gorja, Terrier, Ribera, etc.
Ainda no palcoestá a exposição da Photographia Moderna dos snrs. Leopoldo Cirne & C.ª. É uma das mais graciosamente dispostas, occupando um pavilhão elegantíssimo, que lembra algum tanto uma mesquita árabe, com o seu minarete dourado. Graciosíssima.
*
É de notar um rido álbum atlas de photolytographias que é destinado a sua magestade, depois de encerrada a exposição.
É um trabalho magnifico do bem conhecido artista Ottomar Volkmer, de Vienna d’Austria.
É também muito digno de menção o trabalho exposto pelo snr. Alfredo Brand, um primorosíssimo desenho á penna, reproduzido na officina do sr. Biel, por meio da photolytographia.
*
Uma primeira visita e o exame fugitivo que fizemos dos objectos expostos não nos permittem dar conta aos leitores de todas as preciosidades artísticas, que se encontram no grande salão do Palácio de Crystal. A primeira impressão que em geral nos causou a exposição foi das mais agradáveis. Por certo deixamos de olhar com a attenção requerida para muitos objectos expostos, dignos de reparo e de critica; por isso estamos dispostos a voltar lá uma ou muitas vezes, e daremos aos nossos leitores as impressões, que formos recebendo, em pequenas doses. Isto não pode ir de umaz só. Estando a concluir esta notocia, e percorrendo o que já escrevemos notamos que as deficiências são grandes.
Não prosigamos, pois; tratemos de nos metter na ordem para fallarmos a seu tempo detalhadamente.

1886, 17 de Abril (sábado) - A Vida Moderna


1886
17 de Abril
(sábado)
A Vida Moderna
7º Ano
nº 11
Pag. 1, 2
*
A Arte entre nós

Exposição Internacional de Photographia

Na semana ultima procedeu-se á classificação dos trabalhos d'esta exposição. O resultado foi o seguinte:

Concurso de amadores

Medalhas d'ouro - Aos snrs. Carlos Relvas, pelo todo da sua exposição; D. Margarida Relvas, pelos seus trabalhos de photographia em differentes processos; H.P.Robinson, pelas suas composições photographicas; e Eduardo Alves, pelas photographias e principalmente pelo alto concurso que prestou a este certamen.
Medalhas de prata - Aos srs. Augusto Fonseca, como cooperador dos amadores Carlos e Margarida Relvas; João S. Romão e José Mauricio Rebello Valente, pelas suas photographias de paisagem; Adam Diston, P.H.Emerson, W. Clement Williams, J.P. Gibson, Hans Schullerbauer e George Rendwick, pelos seus bellos trabalhos photographicos: J.M.Brownrigg, pelas suas paisagens; Joaquim Augusto de Souza, pelas suas paisagens.
Medalhas de cobre - Aos srs H.C.Garland, pelas suas paisagens; Mme. Moller Claus, pelas suas photographias coloridas; A.Cassels, por alguns dos seus trabalhos photographicos; Francisco Guillon y Morante, por algumas das suas photographias coloridas; James Searle, Antero d'Araujo e Joaquim Basto, pelos seus trabalhos photographicos; Frederico Cesar da Camara Leme, pelas suas miniaturas, sobre photographia, coloridas a oleo, e Hasteman Koch, pelas suas photographias.
Menção honrosa - Aos snrs. Arthur Benarus, Mme. Effle de Pitroff e Victor Sassetti, pelas suas photographias de paisagens; miss Marian Searle, pelas suas photographias sobre vidro.
Concurso entre photographos

Medalha d'ouro - Eduardo Debas (retratos).
Medalha de prata - Zelesny Karoly, (retratos); D. Pedro Martinez d'Hebert, (retratos e monumentos); photographia União, (retratos e reproducções de plantas em vasos), D. Manuel Alviach, (retratos); Viuva de Amayra y Fernandez, (retratos); J.A. da Cunha Moraes, (photographias d'Africa); Wilh. Dreesen, (instantaneas e figuras); Ottomar Volkemer, (plantas topographicas); Charles Scolik, (instantaneas e estudo para reproducção de pintura); Francisco Rochini, (monumentos e panoramas).
Medalha de cobre - Silva Pereira & Ferreira, (retratos); Clemens Kissel, (processos diversos d'impressão); Jos & Jan Fric, (photographias planetarias); Goszeleth Istevan (retratos); Albert Lugardon, (instantaneas); Joaquim Filippe Nery Delgado, (reproducções topographicas); Adriano da S. e Souza, (retratos); Edm. Gaillard, (diversos processos de impressão).
Menção Honrosa - J. Sartoris, (retratos), J. Maria dos Santos (retratos); Otto Wild, (photographias coloridas); Jos Kossak, (photographias coloridas).
Os membros do juri, sentindo, mas respeitando a forma por que a Photographia Moderna, de Leopoldo Cirne & Cª., se collocou fóra do concurso, consignaram na acta um voto de muitissimo louvor, não só pela excellencia dos trabalhos que aquella casa apresentou, como tambem pela sua iniciativa em uma exposição tão brilhante e instructiva.
Foram julgados tambem os productos chimicos de A. J. de Brito e Cunha e o juri premiou-os com medalha de ouro.
Machinas, acessorios, etc., serão jugados apportunamente.
Foi esta a decisão do juri justa e honrosa, aparte uns leves senões que apresentaremos adiante.
Das photographias portuguezas que concorram á exposição a 1ue mais se distinguiu foi a Photographia Moderna. Esta atelier como se sabe ficou fóra do concurso, os seus trabalhos são no geral muito distintos. Alem da doçura de impressão, a luz é admiravelmente bem distribuida. Nenhuma parte do objecto photographado é sacrificado á outra, assim a luz não é como vemos em variss trabalhos de algumas outras photographias, applicada de chapa sobre um unico ponto, deixando o outro no escuro e no vago, ella é antes distribuida tão naturalmente que nenhuma parte perde do seu effeito e da sua posição.
É para sentir apenas que este atelier não expuzesse alguns trabalhos de gravura chimica. Sabendo nós que esta caza se tem dedicado com boa vontade ao estudo d'este processo, e era digno que o certamen se achasse representado n'esta classe por trabalhos nacionaes, que os não vimos lá n'este genero.
A Photographia União apresentou e fez distribuir um protesto contra a decisão do juri que apreciou os trabalhos do concurso entr photographos, e com esta casa protestaram mais os snrs. M. Aiviach, de Madrid e José Maria dos Santos, de Coimbra.
Não temos nem devemos ter nada com este procedimento visto que não é da nossa competencia o analysal-o.
Já dissemos que a photographia União se apresenta dignamente, e que muito melhor se poderia apresentar. Não lhe escasseiam, felizmente poderosos elementos de progresso.
A exposição d'este importante atelier compõe-se quasi unicamente de retratos, e de uma collecção de clichés de plantas em vazos, muito bem tratados.
A reprodução de plantas, como é sabido não é trabalho muito difficil, e de que se obtem quasi sempre um effeito seguro. É um trabalho de gabinete em que o photographo pode dispor de tempo, de paciencia e de gosto, e que não tem a luctar com as mil contrariedades que se manifestam, ou com o genero retrato ou com o genero paisagem especialmente.
Mas se alguma reclamação ha a fazer, essa poderia ser a da distribuição talvez um pouco prodiga das medalhas de 1ª. classe, medalhas d'ouro. Na nossa opinião, se nos é permittida, uma leve observação, é de que este erro talvez nunca se possa deixar de dar, se não no momento em que os trabalhos de amadores e os trabalhos de artistas de profissão que concorram juntamente em qualquer certamen, entrem em egualdade de circumstancias.
Os trabalhos de amadores devem ser equiparados aos trabalhos de artistas ou de industriaes de profissão no que diz respeito a classificação, logo que entrem no mesmo concurso, e por conseguinte sujeitos da mesma forma á apreciação do jury.
Não sendo assim, haverá retrahimento do artista.
Applicando esta medida ao presente caso, teria p jury de distribuir muitas mais medalhas de ouro, ou, então não seria tão generoso como foi com os amadores.
todos sabem em que condições trabalham em geral os amadores photographos. Elles dispõem quasi sempre de elementos de riqueza que lhes permittem ter apparelhos aperfeiçoados; o tempo não lhes falta, não teem que attender ás grandes necessidades da vida, não teem que vigiar o sustento, a ordem, e o bom nome de um atelier, não teem que entrar na lucta do commercio, teem quasi sempre bons mestres e bons operadores, podem possuir compendios podem estudar; finalmente com riqueza, paciencia, tempo e outros elementos, os amadores são uma terrivel concorrencia aos artistas.
Entendemos que deveria haver apenas um jury, porque assim terminariam certamente todas as queixas e todas os equivocos.
Eis a nossa sincera opinião

1886, 15 de Maio - A VIDA MODERNA


1886
15 de Maio
A VIDA MODERNA
7º Ano, nº15
*
A Arte entre nós

*

Exposição internacional de Photographia

O novo jury que foi nomeado para classificar os productos apresentados n'esta exposição por photographos de profissão e que era composto pelos snrs.:
Presidente, Thadeu Maria de Almeida Furtado; secretario, Nuno Freire Dias Salgueiro; vogaes, Albino Pinto, Guilherme Boldt e Antonio Guilherme Peixoto.
Lettra A - Impressões a tintas gordas sobre camada de gelatina - Joaquim Filippe Nery Delgado, de Lisboa, segundo premio; Silva Pereira & Ferreira, do Porto, terceiro premio.
Lettra B - Gravura heliographica, photogravura em cobre - Rud Schuster, de Berlim, primeiro premio.
Lettra C - Woodburytipia, photoglyptia, stannotypia e processos analogos - Não houve expositores.
Lettra D - Photolytho, photozincographia e processos analogos - Clemene Kissel, de Mainz, Allemanha, primeiro premio; Edm. Gaillard, de Berlim, segundo premio pelo processo autotypio.
Lettra E - Photographia a carvão, em papel, vidro, madeira e porcellana - Silva Pereira & Ferreira, do Porto, segundo premio pela impressão a carvão em papel; Eng. Pirou, de Paris primeiro premo pela impressão a carvão, em porcellana; Pierre Patin de Paris, segundo premio pelo positivo em vidro; Manoel Chicharro, de S. Thiago, terceiro premio pelos positivos em vidro.
Lettra F - Photographia em papel albuminado, platinotypia - Eduardo Debas, de Madrid, primeiro premio; D. Manoel Alviach, de Madrid, primeiro premio; viuva de Amayra y Fernandez, de Madrid, primeiro premio; J. Laurent, de Madrid, primeiro premio; Zelesny Karoly, da Hungria, primeiro premio; Goszeleth Istevan, de Budapesth, Hungria, primeiro premio; J. A. da Cunha Moraes, de Lisboa, primeiro premio; Francico Rochini, de Lisboa, primeiro premio; Photographia União, do Porto, primeiro premio; João F. Camacho, de Lisboa, segundo premio; Wilh. Dreesen, de Flensburg, Alemanha, segundo premio; Silva Pereira & Ferreira, do Porto, segundo premio; José Maria dos Santos, de Coimbra, segundo premio; A. Attout Talfer, de Paris, segundo premio; Charles Solick, de Vienna de Austria, segundo premio; Albert Lugardon, de Genève, terceiro premio; J. Sartoris de Coimbra, terceiro premio; Bergeret & de Joux, de Paris, terceiro premio; A. Ducasble, de Pernambuco, menção honrosa; Arthur Benarue, de Lisboa, menção honrosa.
Lettra G - Gyanotypia e processos analogos - Não houve expositores.
Lettra H - Photograpgias vetrificadas, photographias coloridas - Viuva de Amayra y Fernandez, de Madrid, segundo premio, pelas photographias coloridas; Kessak Joseph, de Temesvar, Hungria, 3º. premio, pelas photographias coloridas; Otto Wilde, de Halberstadt, 3º. premio, pelas photographias coloridas.
Lettra I - Ampliações, positivos especiaes para projecção, etc. - Jos. & Jan Fric, de Praga, Austria, 1º. premio, pelos seus positivos especiaes para projecção; D. Manoel Alviach, de Madrid, 2º. premio; Photographia União, do Porto, 2º. premio; Silva Pereira & Ferreira, do Porto, 3º. premio.
Lettra J - Apparelhos e instrumentos photographicos - Thury & Amey, 1º. premio, obturador; H. Mackenstein, de Paris, 1º. premio; Eng. Faller, de Paris, 2º premio; Paul Stebbing, de Paris, 3º premio; J. Audouim, de Paris, 3º premio.
Lettra K - Photomicaographia - M. Schlenker, de St. Gallen, 2º. premio.
Lettra L - Litteratura Photographica, obras e jornaes - CH. Scolik, de Vienna, 1º. premio, pelas chapas insochromaticas; Leon Vidal, 1º. premio.
Lettra M - Publicações illustradas pela photographia e processos photomechanicos - Ottomar Volkmer, da Austria, 1º. premio; Clemens Kessel, de Maing, 3º. premio.
Lettra N - Chapas ao gelatino, papeis preparados para os differentes processos, cartões, etc., etc. - A. J. de Brito e Cunha, de Lisboa, 1º. premio, productos chimicos; Gelatinefabrik Wenterlhur, 2º. premio, pelos preparados de gelatina; Viuva de Amayra y Fernandez, de Madrid, 2º. premio, pelas chapas de gelatina.
Os membros de Jury reconhecem a muita competencia artistica, aptidão e bons desejos que o jury transacto empregou na classificação das provas epostas

*

Está se organisando uma exposição de quadros, nas sallas do “Commercio de Portugal”, promovida pelos srs. Félix da Costa e Hyginio de Mendonça; de trabalhos de diversos artistas e amadores.